2013-02-18

Encontro com José Fanha


          Asas

               Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
               Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós
               nascemos para ter asas.
               No entanto, em épocas remotas, vieram com dedos
               pesados de ferrugem para gastar as nossas asas como
               se gastam tostões.
               Cortaram-nos as asas para que fossemos apenas
               operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores
               ingénuos
               de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.
               Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas
               transparentes , afirmam que as asas dos homens crescem
               mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas,
               de novo voltam a ser.
               Aceitemos esta hipótese, apesar de não termos dela
               qualquer confirmação prática.
               Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.

                                                                José Fanha

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