2024-02-27

Nascimento de Victor Hugo - 26 de fevereiro




Victor-Marie Hugo nasceu em Besançon a  26 de Fevereiro de 1802 e faleceu a 22 de Maio de 1885 em Paris.

Romancista francês, foi também poeta dramaturgo, ensaísta, artista e ativista pelos direitos humanos de grande atuação política no seu país.

Quando publica o seu primeiro livro de poesia em 1821, com apenas 19 anos, intitulado "Odes et Poesies Diverses " é-lhe concedida pelo rei Luis XVIII uma pensão vitalícia.         

É universalmente conhecido pelas suas obras " O corcunda de Notre-Dame" e " Os Miseráveis" apresentadas no Cinema, na Televisão e no Teatro vezes sem conta .

«Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há certa cumplicidade vergonhosa.»

«Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como o corpo que não come.»

«Saber exatamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo.»

                                            (Victor Hugo)

2024-02-25

Herberto Helder — O amor em Visita (por José-António Moreira)

Herberto Helder

Imagem: Sorbyphoto, Pixabay


cheirava mal, a morto, até me purificarem pelo fogo,
e alguém pegou nas cinzas e deitou-as na retrete e puxou o autoclismo,
requiescat in pace,
e eu não descanso em paz nas retretes terrestres,
a água puxaram-na talvez para inspirar o epitáfio,
como quem diz:
aqui vai mais um poeta antigo, já defunto, é certo, mas em vernáculo
e tudo, que Deus, ou o equívoco dos peixes, ou a ressaca,
o receba como ambrosia sutilíssima nas profundas dos esgotos,
merda perpétua,
e fique enfim liberto do peso e agrura do seu nome:
vita nuova para este rouxinol dos desvãos do mundo,
passarão a quem aos poucos foi falhando o sopro
até a noite desfazer o canto,
errático canto e errado no coração da garganta,
canto que o traspassava pela metade das músicas
— e ao toque no autoclismo ascendia a golfada de merda enquanto as turvas águas últimas
se misturavam com as águas primeiras

Herberto Helder, Poemas Completos

2024-02-24

Leio e Gosto

 


  • "Acredito que a solidão e o tédio tocam o vazio das pessoas. E eu estava cheia.»
Este romance é protagonizado por uma mulher – Violette Toussaint - que, apesar de ter passado por momentos muitos difíceis na vida, nunca deixa de acreditar na felicidade.

Violette é guarda de cemitério numa pequena vila da Borgonha. O seu trabalho dá-lhe acesso a confidências e histórias de vida inusitadas. Precisamente por causa de uma dessas histórias, a sua rotina no cemitério é alterada e vê-se confrontada com todo o seu passado de dor, que tanto procurou abafar.

Que tragédia ou tragédias afetaram a sua vida? 

Será capaz de as ultrapassar de uma vez por todas? Será ajudada ou terá de as ultrapassar sozinha? Que sentimentos tenta esconder? 

Lê o livro e deixa-te envolver nesta história de vida e de confronto com medos e angústias.

2024-02-21

Deixarei Os Jardins A Brilhar Com Seus Olhos| Poema de Herberto Helder ...

Herberto Helder | Rodrigo Leão | Minha cabeça estremece

Dia Internacional da Língua Materna - 21 de fevereiro


Foi instituído em 1999 na Conferência Geral da Unesco tendo a sua origem no Dia do Movimento da Língua celebrado no Bangladesh desde 1952.

O principal objetivo deste dia é a proteção das línguas faladas no mundo, honrando tradições culturais e respeitando a diversidade linguística. 

A língua materna é a raiz individual e grupal, a estrutura do ser humano. Aprendemo-la na infância, comunicamos, pensamos, criamos.

É sinónimo de identidade cultural.

2024-02-20

Relembrar o 25 de Abril

O fascismo morre em poucas horas"


" Dia 25 de Abril de 1974, zero horas e vinte e nove minutos. Portugal entra na «contagem decrescente» para o início da queda do regime fascista. Forças militares em vários pontos do país aguardam a palavra de ordem para o desencadear das operações. O aviso havia já sido transmitido através da inserção de uma breve notícia no vespertino «A República» sobre o programa «Limite» e às 22.55 com a transmissão da canção de Paulo de Carvalho «E Depois do Adeus», nos Emissores Associados Portugueses.

A senha chegou pela canção de Zeca Afonso, «Grândola, Vila Morena», transmitida no programa «Limite» difundido pela Rádio Renascença. Entre as 00.30 e as 3 horas regista-se o eclodir das primeiras operações militares, decisivas para o êxito final do golpe levado a cabo pelo Movimento das Forças Armadas. Forças da Escola Prática de Cavalaria, de Santarém, que, entretanto, haviam prendido o comandante da unidade, avançam sobre Lisboa, sem deparar com qualquer resistência durante a sua marcha. Simultaneamente verificam-se movimentações em Mafra, Tomar, Região Militar de Lisboa (Caçadores 5 e Cavalaria 7), Figueira da Foz, Lamego, Estremoz, Vendas Novas, Viseu e outros pontos."

                                                       (in 25 de Abril, Documento, Praça, Afonso et al)                                         

                                                               


                                   

2024-02-19

"Em silêncio descobri essa cidade no mapa" - Herberto Helder

Imagem: 11417994, Pixabay

Em silêncio descobri essa cidade no mapa

a toda a velocidade: gota

sombria. Descobri as poeiras que batiam

como peixes no sangue.

A toda a velocidade, em silêncio, no mapa –

como se descobre uma letra

de outra cor no meio das folhas,

estremecendo nos ulmos, em silêncio. Gota

sombria num girassol –

essa letra, essa cidade em silêncio,

batendo como sangue.

 

Era a minha cidade ao norte do mapa,

numa velocidade chamada

mundo sombrio. Seus peixes estremeciam

como letras no alto das folhas,

poeiras de outra cor: girassol que se descobre

como uma gota no mundo.

Descobri essa cidade, aplainando tábuas

lentas como rosas vigiadas

pelas letras dos espinhos. Era em silêncio

como uma gota

de seiva lenta numa tábua aplainada.

 

Descobri que tinha asas como uma pêra

que desce. E a essa velocidade

voava para mim aquela cidade do mapa.

Eu batia como os peixes batendo

dentro do sangue – peixes

em silêncio, cheios de folhas. Eu escrevia,

aplainando na tábua

todo o meu silêncio. E a seiva

sombria vinha escorrendo do mapa

desse girassol, no mapa

do mundo. Na sombra do sangue, estremecendo

como as letras nas folhas

de outra cor.

 

Cidade que aperto, batendo as asas – ela –

no ar do mapa. E que aperto

contra quanto, estremecendo em mim com folhas,

escrevo no mundo.

Que aperto com o amor sombrio contra

mim: peixes de grande velocidade,

letra monumental descoberta entre poeiras.

E que eu amo lentamente até ao fim

da tábua por onde escorre

em silêncio aplainado noutra cor:

como uma pêra voando,

um girassol do mundo.

                         

Herberto Helder

 


2024-02-16

Aos Amigos - Herberto Helder

Imagem: VoyZan, Pixabay

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
– Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

                                                                                                                    Herberto Helder, Ofício Cantante

2024-02-15

Amor


 

Sobre um Poema - Herberto Helder

Imagem: Wallace Chuck, Pexels


Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
– a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

– Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
– E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

                                                                                Herberto Helder

Ler...ler sempre


 

2024-02-08

Autor do mês de fevereiro - 1.º Ciclo


 













Júlio Verne - 8 de fevereiro

JÚLIO VERNE 

                                                                                                                                                                                        

 - A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1873)

Cinco Semanas em Balão (1863)

 - Viagem ao Centro da Terra (1864)

Da Terra à Lua (1865)

- Vinte Mil Léguas Submarinas (1870)  

A Ilha Misteriosa (1874)

São algumas das obras mais célebres de Jules Gabriel Verne, escritor francês nascido em Nantes a 8 de Fevereiro de 1828 e falecido a 24 de Março de 1905 em Amiens.

É considerado por vários críticos literários o inventor de género de ficção científica "O pai do romance de ficção científica" tendo feito várias previsões nos seus livros sobre novos avanços científicos como os submarinos, as máquinas voadoras e a viagem à lua.

Tem mais de 100 obras traduzidas em 148 línguas o que o torna ainda hoje um dos autores mais traduzidos do mundo.