Tongue Twisters
Se partires, não me abraces
Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém –longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.
Mª Rosário Pedreira in O Canto do Vento nos Ciprestes
Maria do Rosário Pedreira
Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa em 1959.
Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
É uma editora, escritora, poetisa e letrista portuguesa.
Depois de uma breve passagem pelo ensino , em 1987, tornou-se assistente editorial na Gradiva, onde trabalhou durante nove anos. Entre 1989 e 1998 foi coautora da coleção juvenil Clube das Chaves, com Maria Teresa Maia Gonzalez publicando 21 títulos. Posteriormente, publicou a coleção de 19 volumes " Detective Maravilhas".
Embora tenha publicado um romance e contos dispersos em revistas e antologias, é sobretudo conhecida como poeta, tendo publicado quatro livros, hoje compilados na sua Poesia Reunida, publicada pela Quetzal em 2012 e distinguida com o Prémio da Fundação Inês de Castro. Está traduzida em várias línguas e publicada em volumes independentes, revistas e antologias em diversos países.
Hoje, é a mais mediática editora portuguesa, responsável editorial no grupo Leya
Na qualidade de editora, Maria do Rosário Pedreira conta com um currículo invejável de autores editados, designadamente: José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, João Tordo, Ana Margarida Carvalho, Carlos Campaniço, Nuno Camarneiro, Paulo Moreiras, Vasco Luís Curado, Gabriela Ruivo Trindade, Norberto Morais, Ana Cristina Silva, Nuno Amado, Cristina Drios, João Rebocho Pais e Gabriela Ruivo Trindade.
Sendo o Fado um dos elementos matriciais da sua educação, é autora de várias letras musicais cantadas por António Zambujo, Ana Moura, Carminho, Mísia, Cristina Branco, Ricardo Zambujo, Carlos do Carmo e Aldina Duarte.
Em 2025, é a escritora homenageada no Festival Escritaria, em Penafiel.
Algumas das suas obras:
Romance
Contos
Crónica
Poesia
Literatura juvenil
O que nos diz o autor do mês:
"Quem me assassinou para que eu seja tão doce??"
"Quando um coração se fecha, faz muito mais barulho do que uma porta."
"A cultura é uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo escravo."
"Nós somos casas muito grandes, muito compridas. É como se morássemos apenas num quarto ou dois. Às vezes, por medo ou cegueira, não abrimos as nossas portas."
"Não há ninguém que eu odeie, acho que dá muito trabalho odiar. Há é pessoas que me são indiferentes."
António Lobo Antunes
António Lobo Antunes
" António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973. Em 1979 publicou os seus primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, seguindo-se, em 1980, Conhecimento do Inferno. Estes primeiros livros são marcadamente biográficos, e estão muito ligados ao contexto da guerra colonial; imediatamente o transformaram num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional. Todo o seu trabalho literário tem sido, ao longo dos anos, objeto dos mais diversos estudos, académicos ou não, e dos mais importantes prémios, nacionais e internacionais. A sua obra encontra-se traduzida em inúmeros países."
in "WOOK"
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